Viver em Brasília é, no mínimo, instigante. Você está no meio do cerrado, o solo de um vermelho intenso e interminável. As árvores quase se movimentam de tão distorcidas. Os troncos e galhos cobertos de cascas secas são pra lá de expressivos. O sol, que reina e se transfigura, é um caso à parte. Ele apresenta uma objetividade peculiar em sua precisa iluminação ultradifusa. E, no meio desse cenário natural, formas radicais de uma arquitetura simplificada tendo como cúpula o expansivo céu azul.
Resumindo, Brasília é uma conjunção de cerrado, céu e arquitetura. O poder clássico da arquitetura que intercala retas e curvas suaves e enche de simplicidade nossa alma. Exatamente neste momento descobrimos que existe minimalismo em nosso inconsciente antropofágico/trágico/tropicalista. Com suas exatas formas esculturais, Brasília repousa silenciosa como uma promessa que ainda não se viu cumprida, uma esperança que aglutina pessoas dos vários cantos de um país que anseia por uma realidade clara e objetiva — e que está por vir. Assim como o “superbrasileiro”, que também está por vir.